segunda-feira, maio 28, 2007

Regina, adorei suas respostas. Contudo, neste formato, só vai dar pra publicar na sessão de cartas.



Amigas e amigos, há um tempo não posto no Blog. Porém, esta ai não podia deixar de compartilhar...

Essa semana um amigo, com a melhor das intenções, me disse:
- Puxa Regina, você escreve tão bem né?! É cheia de idéias e tal. Eu tenho um amigo que organiza uma coluna no Jornal, chama 'Se eu fosse'.
- Um, se eu fosse... respondo duvidosa.
- É, escreve algo lá pra ele, eu vou mandar um e-mail falando ao seu respeito, vai ser bacana.

O jornalista me responde no mesmo dia, simpático, pede para eu escrever o que eu faria Se eu fosse o presidente da república.

Vamos ai ao texto. E vamos ai depois à resposta do jornal.

"Se eu fosse Presidente...
O leitor pode imaginar, antes mesmo de percorrer estas linhas, as possíveis respostas à fictícia suposição proposta pelo jornal: Ah, se eu fosse o presidente da república brasileira...
O cidadão comum, assim como eu, caro leigo dos meandros operacionais que regem um Estado democrático, poderá divagar sobre as raízes dos problemas brasileiros e de como, sendo um presidente, saná-las. Pensará sobre a falta de perspectiva do povo brasileiro em lidar com uma série de empecilhos entendidos como culpa do Estado. De ordem econômica: impostos, tributos, encargos, a taxa do dólar – os que acham bom estar baixa, os que acham bom estar alta - a especulação bancária internacional. No âmbito social, o desemprego, a violência, as falhas do sistema em relação à educação e à saúde; e na política, a corrupção, a propina, a fraude e a indiferença dos governantes.
Quando parto deste panorama, me vem à mente uma leve sensação de ter sido enganada. Quem nos convenceu de que votar resolveria os problemas apontados acima, nos iludiu. Assim como o carnaval, se fantasiou, colocou uma música bonita, se encheu de alegorias, máscaras e frases barrocas e deixou a sensação de felicidade no ar.
Quem poderia e deveria reivindicar mudanças na estrutura sociocultural de uma nação como a brasileira não se encontra no executivo, no legislativo nem no judiciário. São necessárias outras instâncias de organização e meu papel, não como presidente, mas enquanto cidadã seria fazer parte delas. Penso sobre a sociedade civil. Sem a intenção de propor que o povo se apodere do Estado, pois as instituições, assim como os cidadãos, têm uma função a exercer dentro das relações políticas. No entanto, seria preciso entender a atuação da coletividade em busca de novos caminhos. Exercitar a autonomia civil traria enquanto perspectiva experimentar diferentes lógicas de relacionamento. Desde os pequenos espaços da vida comum até ambientes onde o cidadão possa exercer maior influência, a proposta seria modificar a forma de encarar as coisas. A iniciativa de dar um passo diferente e enxergar que a relação com o próximo e com as questões socioculturais representam não apenas como uma sociedade se projeta, mas também, como ela se enxerga e se realiza.
Para isso, um bom primeiro passo seria desligarmos a televisão, porque ficamos às vezes quatro, cinco horas acumulando uma falsa sensação de tranqüilidade em frente a ela. Uma segunda e importante ação seria começar a acreditar que é possível fazer a diferença e que culpar o Estado, ou o presidente, é o caminho lógico que nos foi ensinado, assim como o voto, a nos manter desligados daquilo que também deveria ser nosso papel construir."

Eis a resposta imediata ao meu artiguinho: Regina, tudo jóia? Adorei suas respostas e recebi seus dados pessoais. Contudo, um problema- eu precisaria, no texto, que vc contextualizasse com projetos, idéias, no estilo "eu faria", "eu implementaria", etc etc. Por exemplo- escolher a idéia de desligar a televisão e, não sei, criar uma lei, ou alternativas que afastem as pessoas da TV. Algo que fosse projeto seu, sabe, seja para a educação, fome, enfim.. sabe? Da forma que está, teríamos que publicar nas cartas.

The End.

Imagem: um macaco lendo um jornal, 2007.